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Escopo 3 Questões no varejo: desafios e estratégias práticas

Escopo 3 Questões no varejo: desafios e estratégias práticas

Chaves para lidar com a medição de alcance 3

Medir as emissões de carbono em uma empresa de varejo é um desafio complexo. Embora calcular o impacto das operações internas (Escopo 1) e do consumo de energia (Escopo 2) já seja um desafio, a verdadeira dificuldade surge ao estender a análise à cadeia de valor. A estrutura de fornecedores, logística e distribuição do próprio setor adicionam várias variáveis que influenciam a pegada de carbono. Nesse contexto, os problemas do Escopo 3 representam o maior desafio, pois ocorrem fora das operações diretas da empresa, mas são consequência de sua atividade. Compreender e gerenciar essas emissões é fundamental para progredir na redução do impacto ambiental.

Por que é tão difícil medir as emissões do Escopo 3 no varejo?

O varejo tem uma peculiaridade fundamental: a maior parte de sua pegada de carbono é gerada na cadeia de suprimentos, antes que os produtos cheguem às lojas ou ao consumidor final. Para medir o impacto real, é essencial coletar dados de centenas ou até milhares de fornecedores, cada um com diferentes níveis de maturidade em sustentabilidade e diferentes formatos de informação. É aqui que aparecem os primeiros grandes desafios:

  1. Diversidade de parceiros: Quem deve entrar em contato com os fornecedores: a equipe de vendas, a equipe de fornecimento ou a equipe de sustentabilidade? A falta de clareza nas funções internas e externas dificulta a coleta de informações.

  2. Heterogeneidade nos formatos de dados: Cada fornecedor relata suas informações de forma diferente, tornando a consolidação de dados um processo muito complexo.

  3. Falta de diálogo contínuo: Medir a pegada de carbono não é um exercício isolado, mas um processo que deve ser mantido ativo. Para melhorar a qualidade das informações, é essencial estabelecer uma comunicação fluida e sustentada com os fornecedores.

O desafio da responsabilidade na cadeia de valor

Um aspecto fundamental que muitas vezes é esquecido é a responsabilidade compartilhada dentro da cadeia de valor. Embora seja fácil se comprometer com a redução de emissões sob o controle direto da empresa, como viagens de negócios ou consumo de energia, o verdadeiro desafio está em assumir a corresponsabilidade pelo impacto ambiental dos produtos que comercializa. Sem esses produtos, a empresa não existiria, e é aí que surge o maior desafio: reconhecer que a pegada de carbono não termina com a venda, mas continua com o uso e o descarte dos produtos pelos clientes.

Além disso, muitos fornecedores não têm o mesmo nível de maturidade em sustentabilidade. Embora as grandes multinacionais tenham sistemas avançados para gerenciar sua pegada de carbono, muitas empresas de pequeno e médio porte ainda estão nos estágios iniciais e respondem aos requisitos em vez de antecipá-los. Nesse contexto, é essencial que as grandes empresas compradoras exerçam sua influência para impulsionar melhorias em toda a cadeia de valor. Ao contrário de uma pequena empresa com pouca capacidade de negociação, um varejista de grande porte pode exigir mudanças de seus fornecedores e gerar um impacto real.

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A complexidade da análise de fornecedores

Um dos maiores desafios na medição do Escopo 3 no setor de varejo não é apenas o número de fornecedores envolvidos, mas também a diversidade de produtos que cada um oferece. O mesmo produto pode vir de fornecedores diferentes e um único fornecedor pode fornecer vários produtos. Isso faz com que identificar os atores mais relevantes em termos de pegada de carbono seja uma etapa fundamental.

Um aprendizado fundamental foi a implementação da análise de materialidade para priorizar os fornecedores mais estratégicos, tanto em termos de negócios quanto de impacto ambiental. Em vez de cobrir toda a cadeia de valor, essa abordagem permite identificar aqueles que geram os custos mais altos, concentram a maior proporção de emissões, têm uma alta frequência de compra ou são insubstituíveis para o negócio. Graças a esse critério, algumas empresas conseguiram reduzir o número de fornecedores analisados de milhares para um grupo mais limitado, o que facilita um trabalho mais profundo e estratégico sem perder a representação na medição das emissões.

No entanto, essa abordagem apresenta um desafio adicional: os fornecedores estratégicos podem mudar de ano para ano devido a variações nas compras, ajustes no estoque ou decisões de negócios. Essa dinâmica dificulta a continuidade do relacionamento com os fornecedores e exige uma revisão constante da estratégia de medição.

Estratégias para enfrentar esses desafios

Apesar das dificuldades, existem maneiras de tornar a medição do Reach 3 no varejo mais eficaz. Algumas estratégias importantes que identificamos incluem:

  • Mapeie as principais partes interessadas: Antes de iniciar a medição, é essencial identificar quem tem contato com os fornecedores e quais áreas internas devem estar envolvidas. Gerenciar um provedor de produtos não é o mesmo que gerenciar um provedor de serviços operacionais, e o canal de comunicação com cada um deve ser adaptado.
  • Padronize a coleta de dados: A incorporação de perguntas-chave em portais de fornecedores ou processos de registro pode ajudar a estruturar e otimizar o fluxo de informações.
  • Aproveite a tecnologia: A medição do Escopo 3 no varejo envolve o processamento de grandes volumes de dados, desde contas de energia em cada local até registros de transporte e fornecedores. O processamento manual dessas informações não é apenas ineficiente, mas aumenta o risco de erros e dificulta sua atualização em tempo real. Automatizar a coleta e a padronização desses dados agiliza a análise e permite um gerenciamento mais preciso e estratégico.
  • Incentive o compromisso com os fornecedores: Além de solicitar dados, é fundamental gerar estratégias de consultoria e colaboração. Em nossa experiência, as abordagens complementares funcionam melhor do que auditorias rigorosas, pois criam confiança e promovem o compromisso de longo prazo.

Medir o Escopo 3 no varejo não é apenas uma questão técnica, mas uma tarefa que exige uma visão estratégica e uma gestão eficaz das relações com os fornecedores. O sucesso nesse processo não depende apenas da empresa, mas do trabalho colaborativo com sua cadeia de valor e da capacidade de integrar a sustentabilidade na tomada de decisões de negócios. Quanto mais cedo essa jornada começar, maiores serão as oportunidades de gerar impacto positivo e liderar mudanças no setor.

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